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ESQUILO

Sou mais
A felicidade dos esquilos
do Central Park
do que esse tumulto no peito
e a urgência de me sentir livre
De você.

Um táxi amarelo cruza a avenida
E me leva pra qualquer lugar.
Da janela,
faço o inventário dos sacos de lixo.
- Não, meu amigo, não adianta buzinar.
Essa dor não vai sair da frente.

É tanta luz que a noite não chega quando deveria
Como não sentem falta da escuridão?
(e de um pouquinho de silêncio)
Sei que por essas horas você deve estar sonhando
Com a minha próxima tragédia.

Mas não será dessa vez...

Tomo mais um gole de cerveja
Acompanho com o pé o ritmo da bateria
E finjo gostar da música.
Uma morena me sorri
Eu retribuo
e vou.

Mas nunca é você
Nunca vai ser.

São Paulo, Buenos Aires, Paris, Nova York...

Ainda não encontrei uma cidade em que você não esteja.
Os carimbos no seu passaporte me perseguem.
Nunca é suficientemente longe.

Sou como um esquilo
Que vai roer a noz da sua indiferença
Até o osso.

PS: Amigos,
gostaria de convidá-los para assistir minhas peças, "Nos 80" e "Sex Shop Café", que estão em cartaz no Teatro Augusta (Rua Augusta, 943).
Às sextas-feiras, às 21h30, rola o "Nos 80". O ingresso custa R$ 20 reais, mas através do site
http://www.apetesp.org.br/campanha/ ele sai por R$5.
Aos sábados (às 21h) e domingos (às 19h) é a vez de "Sex Shop Café". O ingresso custa R$ 30, mas pelo site
http://www.apetesp.org.br/campanha/ ele também sai por R$ 5.
Espero vcs lá
beijos e abraços
Giba

Gilberto Amendola, 32, é jornalista e escreve no Haja Saco às quintas-feiras

"SHE AIN´T GOT NOTHING AT ALL" *

 

Já se disse tudo que precisava ser dito sobre o disco de estréia do Velvet Underground, de forma que o melhor seria desistir de qualquer texto e ouvi-lo de uma vez. E isso é uma das coisas que já se disse: disco mais lido do que ouvido. Produto da união da banda liderada por Lou Reed e do artista plástico Andy Warhol, o famoso disco da banana inaugurou o lado B no rock. Trouxe elementos inovadores tanto na temática - que apresentava de maneira escancarada seres marginais das ruas de qualquer grande cidade, com direito a viciados pesados, traficantes, travestis e por aí a diante - quanto musicalmente, já que explorava desde uma tradição européia vanguardista (cortesia de John Cale) quanto os avanços impostos pelo free jazz. Tudo numa salada bem temperada de rock que podia ir da garagem barulhenta de “I’m Waiting For The Man” à sutileza de “Sunday Morning”.
São poucos os trabalhos que conseguiram o alcance e a influência de Velvet Underground and Nico. A bela cantora foi uma imposição de Warhol, mas deu todo um charme a uma banda que ainda era formada pelo guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen Tucker, e que mostrou que tão importante quanto ser feliz, é ser triste. Fundamental pra qualquer pessoa que descobriu que a vida também tem um lado negro e triste. Fundamental pra quem também não sabe disso, porque vai ajudá-lo a descobrir.
Mas espera, esse parágrafo todo foi sobre o primeiro disco do Velvet Underground. A banda também gravou o mais experimental e ousado White Light/White Heat, ainda com Cale e já sem Nico. Depois Cale se mandou e Doug Yule entrou, mas ainda sobrou o talento de Lou Reed e a banda ficou menos experimental, mais pop e melodiosa, e mais triste no terceiro, Velvet Underground. Um disco lindo de tudo. E tão essencial quanto os outros dois.
Mas espera de novo. Falei sobre os três primeiros discos do Velvet Underground. E agora sim, chego onde quero. Loaded é o derradeiro grande disco da banda, e onde Lou Reed se solta completamente. É também o mais sensível e mais pop. Fácil de escutar, apaixonante, perigosamente viciante como uma menina muito bonita. E o último que conheci.
Demorei um pouco pra me render a ele. Acho que isso aconteceu mais exatamente depois que ouvi “Oh! Sweet Nuthin” que está na trilha sonora de Alta-Fidelidade. São sete minutos que começam com uma guitarra lamentosa e inigualável. O vocal de Reed é quase baixo, quase cansado. E ele começa a cantar sobre uma série de personagens um pouco estraçalhados a cada dia pelo verbo chamado viver. Ai a música avança num crescendo até culminar em um belo solo de guitarra, angustiante, como se fosse uma alma presa dentro da canção como o desespero de cada um dos personagens retratados, e que como se fosse uma baleia procurando por ar, pula para fora da água para soltar esse grito, e depois voltar à apatia do dia-a-dia. Na mesma trilha sonora ainda tem outra canção que saiu desse álbum, é “Who Loves The Sun”. Tristinha de tudo, fala sobre um coração partido.
Assim, aos poucos, como um quebra-cabeça, fui me viciando cada vez mais, até ele se tornar o meu disco favorito do Velvet hoje em dia. E o que eram duas músicas virou o álbum inteiro. Desde a conhecida “Sweet Jane” e a movimentada “Rock n’ Roll” até outro quase épico tristonho como “New Age” e a romântica e otimista “I Found A Reason”, o que se escuta passa uma sensação parecida com que se tem ao ir até o cinema e ver um filme profundamente humano sem nenhum espaço para a pieguice, mas sim um mapa de sentimentos tratados com realidade.
Parece que poucos entendem, como Lou Reed, das adversidades que existem e de como é importante continuar seguindo no meio delas. As decepções se acumulam, mas também são esquecidas, mesmo que sejam para dar lugar a novas decepções. O desequilíbrio entre tristeza e felicidade parece evidente, mas também se torna quase mais doloroso ainda tentar viver sem isso. Loaded capta, em seus melhores momentos, um mundo de personagens que estão pulsando a cada esquina, dentro de suas angustias e suas paixões, criando uma trilha sonora melancólica ao mesmo tempo em que é cercada de esperança, o que no final das contas só faz a melancolia pesar mais ainda numa espécie de contraponto cruel da vida porque se não existisse essa esperança, não restaria nada para se sentir falta.
Chega a ser quase irônico que uma banda que apresentou a tristeza – mas não uma tristeza qualquer e sim a que importa – para o rock tenha composto um disco que contenha um verso como “what come is better that what came before”. No fim do túnel sempre brilha uma luz, mas antes é preciso passar pela escuridão para enxergá-la.

 

* Verso de Oh! Sweet Nuthin

 

Alê Duarte, 31, é traíra e montou o http://hajaparalelo.blogspot.com, de onde tira alguns textos pra colocar aqui. E vice-versa

TRISTE FIM DE UM GAROTO POMPOSO

 

Francisco de Albuquerque. O nome era refinado. Mais sutil ainda, o seu apelido: Fran. Criado em berço de diamante, Fran acabou adquirindo muitos costumes adocicados. Um deles era ser pessoa excessivamente vaidosa. Exagero? Não. Fran não fazia parte daquele grupo de soberbos que não pode sair de casa com o cabelo despenteado. Pior, acordava duas horas antes de ir para a escola para lavar o cabelo com shampoo de keratina e, depois, secá-lo com uma toca que não danificasse as pontas.

 

Na hora de arrumar o penteado, seguia um manual criado por especialistas, que indicava o pente certo e quantas penteadas para cada lado eram recomendadas. Além dessas neuroses, Francisco era assíduo consumidor de cremes para pele, fazia as unhas semanalmente, malhava com personal trainer famoso e só comia vegetais e legumes depois das 18h. E o mais impressionante: com apenas 18 anos, já havia feito duas plásticas - uma para arrebitar o nariz e outra para consertar suas orelhas de abano, trauma de infância.

 

Sim, Fran era um bonequinho de porcelana, modelo irretocável. Sempre assediado por garotas descartáveis, ao mesmo tempo em que provocava a ira dos invejosos garotos colegiais, que apostavam e colocavam em dúvida sua sexualidade. Porém, uma desagradável surpresa estava reservada para Fran. Começara a se preparar para os festejos de fim de ano. Toda a programação estava montada. Passaria o feriado em Angra do Reis, hotel cinco estrelas. Mas só reservou quarto (individual, obviamente) quando conseguiu que tirassem o ar condicionado de seu dormitório, para que suas narinas não ficassem ressecadas.

 

Desembarcando no paraíso fluminense, Fran logo começou a se preparar para a primeira noite de badalação. Após 2 horas e 50 minutos de banho em banheira com hidromassagem, o menino se colocou diante do espelho para dar início ao ritual. Só que de repente, como se tivesse diante de si um fantasma, Fran detectou uma reluzente espinha no canto superior de seu rosto. Isso foi motivo para Fran se desesperar. Tentou maquiar por cima. Não adiantou. Justo com ele, que seguia as lendas fitness e mantinha distância segura do chocolate e do amendoim.

 

Transtornado, decidiu não sair. Passou camada extra de pomada e foi dormir, rezando para que a funesta espinha sumisse. Afinal, restavam ainda duas noites. No dia seguinte, sua mãe, como de costume, foi acordá-lo para que ele tirasse sua tradicional máscara de abacate. Mas, quando ingressou no quarto, a Sr.ª Albuquerque não avistou ninguém. Deduziu que o filho já se encontrava no banheiro, como de fato estava.

 

Porém, a realidade era inimaginável. Ansioso, Fran acordou em plena madrugada, para ver se a acne havia sumido, ou ao menos reduzido de dimensão. Mas, quando se defrontou novamente no espelho, avistou a mesma espinha de horas antes, acompanhada de mais duas “colegas”, brilhantes, amareladas na ponta, formando uma espécie de Três Marias. Não soube resistir à pressão. Suicidou-se. Um pé na banheira e o secador de cabelos ligado na máxima potência. Foi um final em grande estilo. Morreu de bóbis.

 

Fabio Chiorino, 26, é jornalista, juventino e escreve no Haja Saco às terças-feiras

DOIS POEMAS QUE FICARAM FORA DO RUMOR NENHUM

 

acordar com a

luz abrupta

 

o sono adiado

latejando por detrás

dos olhos

 

o reflexo esgotado

uma marca de unha

cintilando solitária

na carne

 

as coisas nulas
que, na vida,

contra nós depõem

 

(uma fratura na calçada

nosso coração cheio

de lodo)

 

o atavio do que

entre nós

se interpõe

 

 

II

 

a cidade se move

rápida e cruel por

sobre nossos

desejos

 

não ligamos

porque isso é

um fato e

passamos então

a achar natural

 

ou apenas

aceitamos

como aceitamos

essa dor sem motivo

que talvez não

merecêssemos

 

às vezes penso

que tenho tanto

pra dizer

que prefiro

simplesmente

te olhar –

 

meu rosto já não

é uma promessa

 

Mauricio Duarte dos Santos, 26, é jornalista e escreve no Haja Saco às segunda-feiras

IDEOLOGIA DESTRUIDORA

Durante muito tempo, Maria Helena foi uma sonhadora. Acreditava que, por meio do pensamento socialista, a justiça social um dia, quiçá, viraria realidade. Participando de uma passeata em prol da paz entre os povos, conheceu o Zé, militante ferrenho e líder de manifestações calorosas contra tudo e contra todos. Namoraram por muitos anos, até que o relacionamento deu-se por encerrado por culpa única e exclusivamente do radicalismo ideológico dele.

Ela simplesmente era proibida de consumir. Nem bem chegava com um sapato novo, o Zé olhava as sacolas do shopping e desabava em discursos inflamados, questionando Maria Helena se sabia da origem do produto, se a indústria do produto não era poluente por demais ou se não era por meio de exploração do trabalho infantil que conseguira comprar o sapato por um preço tão barato.

O estopim que decretou o término do namoro foi quando Zé quase se jogou da janela ao ouvir a palavra "filhos" da boca de Maria Helena. Na opinião dele, quem coloca filho no mundo tem de ser preso por cometer tamanha crueldade - com a criança e com o mundo, que teria mais um consumidorzinho, querendo comprar os melhores e mais caros brinquedos.

Relacionamento novo, vida nova. Agora, Maria Helena sentia náuseas ao ouvir um discurso do Lula ou dos "companheiros". Ao lado de Elimar (neoliberal ferrenho, leitor número um de David Ricardo e de Milton Friedman, com carteirinha do falecido Partido Liberal e simpatizante do PSDB e do DEM), ela podia consumir a vontade, pois seu parceiro alegava que, ao adquirir produtos, estaria contribuindo para a criação de empregos, para o aquecimento da economia e, conseqüentemente, para a riqueza do País.

Ao contrário de Zé, Elimar não se assustava com a idéia de ter filhos. O neoliberal, para apoiar o sistema de privatizações, dizia que iria colocar seu herdeiro em colégios e faculdades particulares, só usaria convênios médicos também particulares e, desde cedo, deixaria na cabeceira da cama do filho uma versão para crianças da bíblia, chamada "A Riqueza das Nações", de Adam Smith.

Estava indo tudo muito bem para ser verdade, desconfiava Maria Helena. Até que um dia, ao descobrir que Elimar mantinha relacionamentos homossexuais e que também praticava semanalmente swing entre casais, acabou com o namoro alegando que esse tipo de liberalização já era demais para ela.

Depois de alguns dias, Maria Helena viu o Zé, barbudo, andando de bicicleta, e o Elimar, bem afeitado, com seu carro importado. Preferiu ignorá-los. Caminhando pelo parque, cabisbaixa, resmungava baixinho: "essa droga de ideologia destrói qualquer relacionamento, viu."

Wilame Prado, 22 anos, cursa o 3º ano de jornalismo. Mora em Maringá-PR, trabalha com assessoria de imprensa e sonha ser escritor de romances. E atualiza, sempre que pode, seu blog A Poltrona (www.apoltrona.blogspot.com)

VOTE VOTE VOTE

 

Começou mais um horário eleitoral e é hora de apresentar nossos candidatos do PHS - Partido do Haja Saco. Leia com atenção e faça sua escolha. Lembre-se: todos os perfis são absolutamente verdadeiros, portanto avalie bem antes de votar.

 

Fabinho, prefeito – VOTE 0.5

 

Fabio Chiorino tem 37 anos, calça 43 e mede 1,41 m. O apelido de “letra L” foi dado ainda garoto, quando disputava corridas promocionais em troca de sanduíches de atum e camisetas, quase sempre dois números maiores do que ele. O amor pela corrida fez com que desenvolvesse outras paixões, como vôlei e peteca. Formou-se administrador pela USP, trabalhou em cartório, loja de roupa, de chás, como DJ e vendeu melancias com o pai, Nicola, na feira da Rua Jumana, na Mooca. Comunicativo, elegeu-se vereador pelo PHS ainda em 1994. Foi deputado estadual, federal e síndico. Tem como meta lutar pelos mais pobres dando-lhes tênis ao invés de leite e bandanas no lugar da merenda. Diminuirá a circulação de ônibus e parará o metrô para que todos andem mais. Promete instaurar o moquês como segundo idioma ‘nas escola’ e financiará, com dinheiro público, o time do Juventus. Aliás, o estádio da Rua Javari ganhará mais 11 mil lugares, de forma vertical – serão erguidos arranha-céus em volta do gramado, com o campo lá em baixo – um projeto trazido de Lisboa. 

 

Slogan: vote Fabinho, ele vale por um bifinho!
Escritório: Paes de Barros, 223, Mooca
Vice: Amanda

 

Maurício Poeta, vote 115

 

Minhoca para uns, aspargo para outros, Maurício Duarte cresceu ouvindo que era “estranho” por gostar de poesia. Bateu o pé e enfrentou: leu, releu, treinou a escrita, fez balé e conseguiu publicar seu primeiro rebento, “Sensível sim, e daí?”. No lançamento mundial, em Campinas, compareceram culturetes de todo o País e até de Osasco. E são elas que impulsionam a carreira desse promissor futuro vereador, dando-lhe idéias sensíveis para plataforma de governo. Como poeta, Maurício apresenta uma visão poética das coisas. Sugere abrir a porta das cadeias, das Febems e dos hospícios uma vez por mês, com o objetivo de deixar que homicidas e estupradores respirem o mesmo ar que nós perante Deus. Quer promover o ‘assalto literário’, espécie de arrastão em alguma livraria grande (tudo pago depois pela prefeitura), e criará o Poeta de Prédio, onde cada edifício terá o seu próprio poeta urbano, mediando conflitos com sensibilidade e recebendo ladrões com uma flor. Criará a Universidade da Poesia em cada bairro, onde as aulas serão ministradas em ritmo de musical, como na Broadway.

 

Escritório: Filial, na Rua Fidalga, 256
Slogan: Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Vice: Marcelino Freire

 

Alexandre Rodo, vote 6665

 

Ex-feliz, ex-triste, ex-amargurado, ex-poeta, ex-esportista, ex-tatuado, ex-jornalista, ex-periente, Alexandre Duarte dos Santos, vulgo Ale, pretende valer-se de tudo o que aprendeu no minado campo amoroso e aplicar na chamada “Gestão do Rodo”. Ale cansou-se de ver casais se desfazendo e decidiu, em seu mandato, unir as pessoas na mão grande. Gostou dele? Achou ela bonita? São seus. Com força bruta policial e repressora, Ale levará você e sua gata (o) para um cativeiro, como fazem com cães. Amor consentido pela municipalidade. Ale tem mais planos. Vai instaurar o Leve-CD, o Leve-DVD e o Leve-Livro nas escolas municipais, tirando o leite das crianças e substituindo frutas por discos de Bob Dylan e Bo Didley. Transferirá a sede da Prefeitura para o Milo Garagem, onde assessoras jovens e saudáveis o acompanharão na leitura e despachos. Apreciador da boa birita, criará o Dia da Manguaça, quando irá à periferia beber de graça (sim, ele), já que como autoridade não poderá ser confrontado. Pra que encher o saco, a cana será dupla.

 

Escritório: Bar do Léo
Slogan: vai tomar no cu
Vice: Gustavo Violinista

 

Gilberto Amendola, 24.5

 

Abaixo o amor cortês! Dramaturgo, escritor, galanteador e jornalista, Giba acompanhou de perto os problemas da cidade quando era garoto, no extinto Jornal da Tarde. Passou pela Folha, Veja e G Magazine antes de fundar seu escritório de comunicação dramática, especializado em dramatizações urbanas – isto é, pedidos de emprego com choro, filas do INSS com gritos e outras fraudes que requeiram dramaturgia. Hoje, aos 51 anos, quer devolver à Cidade aquilo que ela mais lhe proporcionou: dívidas. Tem planos ambiciosos com gente que, segundo ele mesmo, não dá ibope. Vai criar academias para idosos, rampas de skate e churrascarias para rabinos – tudo com o dinheiro público. Vai fomentar peças (dele), com companhias diferentes, em bairros diferentes. Promoverá a integração sexual, com travestis como policiais militares e a Delegacia da Lésbica. Vai transferir seu gabinete pruma sauna gay, pois quer mostrar que é evoluído.

 

Escritório: Cracolândia
Slogan: chegue mais perto, volte Gilberto!
Vice: Léo Áquila

 

Marc Tawil, 34, é um exibicionista e escreve no Haja Saco às sextas-feiras

ÂNGELA RÔ RÔ

Aquele amor,
Que de tão grande quando estourou
Grudou chicletes no meu cabelo
Deixou um cheiro qualquer
De azedo
E repelente no meu coração.

Agora,
Nesse retrovisor maluco
Nesse cinema mudo do futuro
Vejo tudo o que você fez.

e acho triste
mas tem sua graça.

Porque quando o grande amor acaba
Tem esse dom
Que estraga
Todo amor que vem depois.

Me fez virar peça de antiquário
Computador usado
Prêmio de colecionador.

Arredio a qualquer carinho.

Ninguém mais sabe
(quando me ouve)
Se é pra rir ou pra chorar.

Tudo bem,
Tenho algumas vantagens
Só que o manual dos apaixonados
está em um idioma que não conheço mais.

Agora,
O que me resta
É virar esse disco da Ângela Rô Rô
- a música que eu mais gosto está no lado B.

Gilberto Amendola, 32, é jornalista e escreve no Haja Saco às quintas-feiras

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